Faz quatro anos que tomei a decisão 《vou mudar de vida, vou cuidar de mim sem ter de dar justificações a ninguém. Vou ser só eu.》, pensei eu na minha ingenuidade de recém adulta que seria fácil, a verdade que eu desconhecia é que afinal decidir morar sozinha não implica apenas fazer as malas com as minhas roupas e ir embora de casa dos pais e instalar-me na minha nova vida, decidir morar sozinha implica abdicar de alguns sonhos porque financeiramente é impossível cuidar de uma casa e dos sonhos ao mesmo tempo. Eu aprendi isso da pior forma, achei que era dona do mundo e arredores que podia e conseguia tudo, ao fim de um ano estava atulada de confusão, ao fim de um ano no meu habitat natural eu disse 《mãe quero morar contigo outra vez》. Acontece que tive 2 meses novamente sobre a asa da mãe mas as coisas não correram bem, os feitios chocam e as discussões eram diárias, lembrei-me da razão principal pela qual sai de casa, e decidi que teria de o fazer novamente.
Por esta altura contava com 21 anos, e achava que estava no meu auge, olhando agora para trás eu era uma pessoa básica por esta altura, sem grandes ambições, tinha saído de um relacionamento que já durava desde os meus 17 anos, e estava um pouco com os parafusos a saltarem-me da cabeça, só queria noitadas, cafés, mal parava em casa, mas tudo isto tinha um motivo, ao fim de 1 ano e meio a morar sozinha comecei a sentir o síndrome de ter medo de estar sozinha em casa, fazia de tudo para estar sempre acompanhada, não queria entrar e ter apenas paredes para conversar, acho que essa parte foi a que me deixou mais frustada.
Passado pouco tempo descobri que morar sozinha e ter sonhos era possível, e comecei por voltar a tocar, por voltar a estudar, saia casualmente com um amigo ou outro e tinha 23 anos quando o meu circulo de amigos diminuiu bruscamente, eu deixei de estar tão disponivel para saidas, porque me sentia melhor em casa, e os amigos das "saidas" sairam todos.
Aos 22 ja tinha avistado a pessoa que está comigo hoje e me atura com todos os meus feitios.
Hoje tenho 24 anos, sei que tenho contas para pagar, que a renda não é só um numero que aparece no contrato, que se quero morar sozinha tenho que me alimentar, vestir, basicamente sustentar-me, não é nada fácil. Aos 24 anos todos os meus amigos dividem casa, moram com os seus parceiros, uns tem filhos (essa parte dispenso bem), pensam no futuro em conjunto, eu continuo como à 4 anos atrás, sozinha, com contas, com paredes, com a solidão de entrares numa casa e sentires que não tens um lar.
Tenho saudades de quando eras tu e eu, de quando eras o modelo de homem que eu tinha na minha vida. Tenho saudades dos nossos momentos, e de quando discutíamos e minutos depois com um sorriso e um xi-coração nos resolvíamos, tenho saudades de quando era a menina dos teus olhos, e tu o homem da minha vida, tenho saudades de tudo o que vivi contigo e de tudo o queria ter vivido contigo, sinto que muita coisa ficou por ser dita, queria ter a oportunidade de te dizer mais uma vez o quanto te adoro, e o quanto me fazes falta. Oh meu Deus, tanta falta que tu me fazes, é uma falta que mais ninguém conseguirá preencher, podem acalmar mas não preencher. Sinto a falta do teu carinho quando eu chorava, dos teus ralhetes quando eu me portava mal, dos teus incentivos, sinto tanto a tua falta que dói e dói tanto que sempre que falo de ti, sempre que escrevo de ti não consigo deixar de te imaginar aqui ao meu lado e começo a chorar, lágrimas que com o seu teor salgado demonstram a angustia com que t...
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