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O quão?

O quão importante temos de ser na vida de alguém, para que as nossas escolhas, os nossos caminhos interfiram com a felicidade ou egocentrismo dessa pessoa. Será que se pode chamar sequer a isso ser-se importante, ou é apenas uma forma dessa mesma pessoa se desculpar com o facto de seguir cada passo que dás ao milímetro, como alguém que sofre de um distúrbio de alinhamento mental em que a única satisfação é saber e fazer com que as coisas girem em torno de si próprias com o propósito e desculpa da tua importância para elas. Não sei se nascemos com um destino marcado, como os crentes dizem, não acredito muito nisso, mas também não acredito que somos postos no mundo em vão, acredito que se aquele pequeno mecanismo biológico funcionou e estamos cá, então de alguma forma o nosso destino (se assim o quiserem chamar) será esse, estar cá. Tudo o que advém, é nosso, são escolhas tomadas mediante as oportunidades que nos são colocadas adiante. Se seguimos o caminho A, este de certo irá ter tantos prós e contras como o caminho B, são apenas diferentes, e nas alturas tomamos as decisões que achamos apropriadas, seja pelo nosso for psicológico no momento, seja pelas emoções que muitas delas guiam as nossas escolhas. Mas toda esta palestra desenfreada, leva-nos a um propósito. Normalmente, nascemos, crescemos, andamos na escola, trabalhamos, formamos família, temos o nosso circulo de amigos e depois disso, basicamente é viver e esperar que a morte nos bata à porta com o seu cajado decidindo se iremos para um lado ou para o outro. O quão injusto é, durante toda a nossa vida somos nós que fazemos as nossas escolhas, traçamos os nossos caminhos, optamos por A ou B, e na altura que morremos é aquele ser mítico que supostamente existe que diz se vamos para o céu, que podemos aqui retratar como A, ou para o inferno, que retratemos como B. O nosso livre arbítrio foi-se embora, e naquele momento somos apenas seres frágeis, tal e qual como quando nascemos. Nasces e os teus pais decidem a tua forma de crescer, educar e tantas outras coisas. Morres e aquele ser idealizado por nós de vestido de preto decide a forma como passamos o resto da eternidade (se esta existir, será sempre a incógnita pela qual não me quero reger nem matar a pensar pelo resto da minha vida, terei tempo de ver ou não o que existe quando deixar de ser). Então temos apenas o meio da nossa vida, em que somos nós os tomadores dos nossos narizes, acções, e tudo o resto que me rodeia, sou eu que decido se dou um tiro em alguém e passo o resto dos dias na prisão ou se pego em algo mais prudente e tento levar uma vida digna com mais do que ver o sol aos quadradinhos. Toda esta minha lógica leva-me a pensar, e com isto tudo, o meu pensamento expande mais do que queria com pequenos pormenores que deveriam ser meramente insignificantes para mim, infelizmente não o são, então o meu pensamento urge à procura de respostas, simples, coesas e precisas. Já dizia a minha mãe, sê sincera contigo mesma e verás a verdade em ti e nos outros. Bem, levando então ao ponto inicial, sermos importantes. De certo quando nascemos somos importantes para os nossos pais, somos fruto de algo que existe ou existiu entre eles, e isso é algo que não irá romper. Somos importantes e por isso é que nos levam a brincar no jardim, nos vestem da melhor forma, nos educam como melhor sabem, e de certa forma nos tendem a encaminhar para tomarmos decisões que eles no seu parecer pensam ser as melhores para nós. Nós, ainda seres que não estão na sua fase de escolha, aceitamos. Iremos ser de certo importantes para os nossos filhos, serão eles os responsáveis por eternizar a nossa memória ou esquecê-la no momento. Agora, os nossos filhos não irão dissimular a nossa importância, tal e qual como os pais não simulam a nossa. E aquela pessoa ali? Pode ser quem está a ler isto, ou alguém que está mais perto, o quão importante és para uma pessoa que mal conheces a ponto de teres de justificar a tua vida, a pontos de esse acobertar de importância se transformar num transtorno compulsivo de poder, de querer, de saber. Essa pessoa não é a tua mãe, não é o teu pai, nem a morte que te virá buscar um dia. Porque parece essa pessoa tão interessada na existência daquele alguém, seja eu, tu, ou simplesmente alguém, simulando o agrado que tem por ti só para saber mais um pouco, só para te entranhar mais, só para te cavar a cova mais depressa. Será essa pessoa a figuração do homem de preto que decide a nossa eternidade?

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