Um suspiro aqui, outro ali. Todos os dias o mesmo desconforto, aquele aperto no peito e aquele pequeno terramoto que parece não se saber bem a origem pela qual surge. Todos os dias, algo que nos incomoda ou incomodou persegue, sobre formas que o nosso corpo transparece de formas incompreendidas. Mais um suspiro, e não sei bem porquê. Os pulmões estão cheios de ar, a traqueia não está a fechar, eu consigo respirar na perfeição. Inspiro. Ao meu redor tudo estremece, tudo anda à roda, numa roda de multitarefas diferentes que ainda não descobri o que são ou para o que servem ou para onde vão. Tudo parece estar prestes a ruir sobre mim, sinto a minha mão deslocar-se com força para o meu peito, dói, mas não sei bem porquê ou onde, só sei que dói. A casa rodopia à minha volta, a rotina mantêm-me activa e viva, e mata-me diariamente também. Sinto o bater do meu coração acelerado. Parece que vai explodir. Páro. Expiro. Tudo à minha volta, volta ao sitio, o corpo já não treme, e a casa já não va...