A brisa suave passa ao de leve por entre os meus cabelos e nesse momento eu percebo que sou uma pessoa livre, que pode sonhar sem precisar de alguém ao lado para o fazer. O chalrear dos pássaros também parece aumentar cada vez que me entranho neste sistema. Na verdade, é como se fosse uma só neste momento, eu e a natureza e o meu chá de canela e maçã a acompanhar, quem me conhece sabe que sempre preferi um bom chá ao invés de um café. Este chá é particularmente relaxante, tendo uma textura suave com o pequeno pormenor de ter uma leve camada de nata batida por cima, parece que fui transportada para os anos 80, onde as senhoras se reuniam nos cafés para a sua hora do chá, só que eu vim sozinha, sou só eu, o meu pensamento e este chá e sinceramente nada na vida me sabe melhor.
Por entre os meus dedos passa agora um percevejo, faz-me pensar no quanto eu sou idêntica a ele, mesmo agindo sozinho ele procura sempre a companhia de algo, seja dos meus dedos ou da planta para a qual ele foi agora, porque ninguém consegue estar totalmente bem sozinho, e eu sou igual a ele, estou bem, estou livre, porém algo falta para encaixar neste cenário que parece de perfeição. Falta aquela coragem de enfrentar as coisas sozinha, coragem que não tenho porque aprendi a repartir as coisas com alguém, neste momento sou eu, a natureza e o meu chá, no entanto aquele percevejo fez-me perceber que falta algo ou alguém aqui comigo, talvez o silencio seja bom, mas talvez seja melhor quando estamos acompanhados, acabamos por ficar mais seguros e esse é o meu problema, a falta constante de segurança.
Um dia fui uma menina sozinha, mas pouco tempo depois aprendi a ser de alguém, e talvez tenha de aprender a ser uma menina sozinha novamente, porque é esgotante neste momento para mim ser sozinha e não ser de ninguém.
A ideia de ser livre é contraditória, é melhor pensar que em cada passo que dou estou sozinha, mas estou acompanhada, do que estar sozinha cair e não ter quem me segure. Penso que essa é a ideia que o percevejo transmite.
Neste momento o chá já arrefeceu e as natas batidas estão a cair pela caneca lentamente, enquanto olho penso em como posso olhar para este chá como uma metáfora na minha vida, num momento eu estou bem, noutro momento começo a esmoronar, e na minha lógica talvez seja necessário tudo isso para aprendermos que no fim tudo volta ao inicio. E que se anteriormente o meu estado de embriagues de felicidade virou decadência, talvez agora o meu estado de decadência volte a ser uma embriagues saudável. Quem sabe?
Talvez seja o tempo que nos dê respostas, ou então não, o tempo é uma pequena contagem de segundos que passam a uma velocidade estranha e confusa, por exemplo ainda à pouco o meu chá estava quente e as natas consistentes e agora está frio e as natas esmoronaram, ainda ontem tinha cinco anos e estava abraçada ao meu avô e agora tenho vinte e três e só o consigo abraçar na memória. Abraço-o muitas vezes.
Estou seriamente a divagar, mas serei eu afinal um percevejo? Que gosta de estar sozinho no entanto quer estar sozinho com companhia? Chegará para mim estar apenas acompanhada pela natureza e por este chá?
Agora o vento abrandou mas arrefeceu, as folhas já não abanam, mas o ar fresco consegue fazer-me lacrimejar, não consigo pensar em nada, no entanto milhares de situações passam-me pela cabeça. Tenho de aprender a estar e a ser sozinha, tenho de aprender a não ser de ninguém.
Sandra Roque, Fevereiro 2017, Palmela
Tenho saudades de quando eras tu e eu, de quando eras o modelo de homem que eu tinha na minha vida. Tenho saudades dos nossos momentos, e de quando discutíamos e minutos depois com um sorriso e um xi-coração nos resolvíamos, tenho saudades de quando era a menina dos teus olhos, e tu o homem da minha vida, tenho saudades de tudo o que vivi contigo e de tudo o queria ter vivido contigo, sinto que muita coisa ficou por ser dita, queria ter a oportunidade de te dizer mais uma vez o quanto te adoro, e o quanto me fazes falta. Oh meu Deus, tanta falta que tu me fazes, é uma falta que mais ninguém conseguirá preencher, podem acalmar mas não preencher. Sinto a falta do teu carinho quando eu chorava, dos teus ralhetes quando eu me portava mal, dos teus incentivos, sinto tanto a tua falta que dói e dói tanto que sempre que falo de ti, sempre que escrevo de ti não consigo deixar de te imaginar aqui ao meu lado e começo a chorar, lágrimas que com o seu teor salgado demonstram a angustia com que t...
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