O medo está sempre presente. Quer queiramos ou não é impossível não viver com ele. Podemos tentar enganá-lo, podemos tentar dizer-lhe “desta vez não”, mas, ele alimenta-se e come connosco à nossa mesa, à espera de um momento, daquele momento que sabemos que é sempre o menos oportuno e, voilá, ali está ele. Primeiro entranha-se apenas na tua cabeça dizendo que não és capaz, que não vais conseguir, depois passa por todas as entranhas do teu corpo, tu sentes ele a deslizar sobre ti como simples gotas de suor, tu sentes que alimentaste aquele “animal”, tu sabes que o alimentaste e sabes que vais ter de viver com ele. Tomo um banho, retiro todas aquelas gotas de suor que escorregaram sobre o meu corpo e que cheiravam a desconforto, mentira e desilusão. Eu alimentei aquele medo, criei-o mas vou prendê-lo. Tenho a minha pele a cheirar a aroma suave de jasmim, como adoro este gel de banho, criei um pacto com aquele pequeno momento de paz em que lavei todas aquelas gotas de medo do meu corpo,...